Mais Um Canto: da bancada para o digital
"Mais Um Canto" é a rubrica digital de Joana Nogueira, onde cada estádio que visita se transforma numa verdadeira lição de história. Da bancada ao relvado, cada canto guarda uma narrativa única, e a Joana partilha connosco a sua perspetiva, revelando curiosidades, memórias e a paixão que move as suas viagens pelo futebol.
Para começar, podes contar-nos um pouco sobre ti e a tua ligação ao futebol?
O futebol não surgiu de forma orgânica na minha vida. Apesar do meu pai sempre ter sido completamente fanático pelo FC Porto, nunca tive a experiência de domingos no estádio em família nem ele me conseguiu a pôr a gostar do Porto em pequena (ou mais tarde). Apesar disso, acho que ter visto alguns jogos de futebol na televisão em pequena, quando ainda não sabia bem processar palavras, ficou guardado num canto do meu cérebro, o mesmo que a Joana de 14/15 anos foi buscar quando decidiu que o que queria era ser jornalista desportiva. Na adolescência, fui a alguns jogos de futebol ao vivo, consumi futebol de muitos países europeus aleatórios e tive o meu primeiro grande amor futebolístico, o Tottenham. Dois anos mais tarde, o Napoli entrou mais a sério na minha “agenda futebolística” e posso dizer que, se comecei a criar vídeos sobre futebol, foi por causa do Napoli.
Lembras-te da tua primeira camisola oficial? Qual era e o que significou para ti?
Lembro-me (quase) perfeitamente. Foi o equipamento completo do FC Penafiel e foi uma prenda dada pelo meu avô materno. Se há uma coisa que eu gostaria de mudar, era de ter começado a gostar de futebol mais cedo para poder ir a jogos com ele.
O que representa para ti ter um produto oficial do teu clube ou seleção?
Sem dúvida que amor ao clube e ao país. É apoiar uma cultura na qual me insiro.
Achas que os produtos oficiais fazem parte da identidade e cultura do futebol?
Por um lado, sim, porque é uma questão de identidade clubística. Ainda assim, as réplicas também fazem parte da mesma identidade porque permitem que algo se torne acessível a todos.
Na tua opinião, o que distingue um produto oficial de uma réplica ou contrafeito?
A qualidade sem margem para dúvida. Principalmente, quando as marcas que produzem as camisolas são “de nicho” torna-se muito óbvio quando é uma réplica, um produto contrafeito, ou não.
Acreditas que as pessoas têm consciência de que muitos produtos vendidos online são contrafeitos?
Acredito que muitos até saibam que sim, mas a diferença de preço, principalmente nos dias de hoje, faz com que as pessoas prefiram não gastar tanto.
Achas que existe falta de informação sobre o impacto da contrafação no desporto?
Sim e não. Em Portugal, sem dúvida, mas noutros países não acho que seja tanto assim. Clubes como o Nápoles vendem as camisolas “oficiais”, de jogador e réplicas a preços bem mais reduzidos, por isso acho que aí os adeptos estarão mais informados.
Na tua opinião, os clubes estão a fazer o suficiente para combater a contrafação?
Depende. Por um lado, sim ao terem as réplicas “oficiais”, por um lado não, porque estamos a falar de camisolas de preço elevado.
O que gostarias de ver os clubes fazerem mais para proteger os adeptos e valorizar os produtos oficiais?
Acho que passa muito pela sensibilização e pelos próprios clubes terem as suas versões “mais baratas”, ajudando a que todos possam levar o emblema ao peito.
Algumas pessoas dizem que os produtos oficiais são caros. O que dirias a alguém que hesita em comprar uma peça original por causa do preço?
Acho que aqui o valor sentimental entra muito porque elas realmente são caras. Eu entendo a hesitação porque durante muito tempo eu não comprava camisolas de futebol (incluindo réplicas) precisamente por isso. Agora compro quando há um valor sentimental e prefiro ter uma coleção de dez camisolas oficias que 50 réplicas.
Acreditas que o valor simbólico e ético de um produto oficial compensa o investimento?
Acredito que sim, mas aí volto a dizer que clubes como o Nápoles ajudam a que isso aconteça ao terem dois tipos de camisola, ajudando a que a não se veja a necessidade de contrafação porque o próprio clube “determina” as suas réplicas. Cada pessoa consegue ajustar a compra ao seu orçamento e sabe que está na mesma a ajudar o clube e a fazer algo que o clube “aprova”.
Sendo influenciador, sentes responsabilidade em promover produtos oficiais e autênticos?
Como o meu foco não são as camisolas, não sinto a necessidade de promover os produtos autênticos. Ainda assim, existe uma responsabilidade de não promover a contrafação.
Já foste abordado por marcas ou lojas suspeitas? Como lidas com isso?
Ainda não me aconteceu, mas se acontecer seria algo que explicaria com naturalidade porque teria de verificar a autenticidade do produto.
Que conselho darias a quem quer começar a colecionar t-shirts ou produtos oficiais?
Comprar camisolas com significado, oficiais e lembrar-se que não é preciso ter uma coleção de 500 camisolas para ter orgulho na sua coleção de camisolas.
Há alguma peça na tua coleção que tenhas como especial? Porquê?
Na realidade, tenho várias porque a maior parte delas tem uma história por detrás. A primeira, que o meu avô me deu, é especial por ter sido uma prenda dele. A minha primeira do Nápoles, que viveu o último Scudetto (Maio 2025), é das mais especiais por ter sido a primeira do clube e por ter estado comigo no quarto Scudetto. Depois também tenho uma da seleção eslovena, com o Valter Birsa nas costas, que mandei estampar quando estive na Eslovénia, na minha primeira viagem para longe a solo. Na realidade, 80% das camisolas são preferidas, porque têm uma história para contar. Quando a coleção aumentar se calhar depois consigo escolher só uma.
As respostas foram gentilmente enviadas pelo Instagram por Joana Nogueira.
@joanatakesawalk
Para perceber melhor o impacto da contrafação consulta o nosso artigo:
A importância da aquisição de produtos oficiais: diz não à contrafação
Para saber como identificar um produto oficial lê o nosso artigo:
Como identificar um Produto Oficial: dicas para evitar falsificações
